{"id":52,"date":"2009-02-08T19:47:17","date_gmt":"2009-02-08T19:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/sindicato.biz\/o_outro\/?p=52"},"modified":"2009-06-16T18:45:25","modified_gmt":"2009-06-16T18:45:25","slug":"capitulo-v-%e2%80%93-%e2%80%9cnao-sei-onde-vais-parar%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindicato.biz\/o_outro\/?p=52","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo V \u2013 \u201cN\u00e3o sei onde vais parar&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u2014 Z\u00e9 Migueeel! As tr\u00eas caipirinhas!<\/p>\n<p>\u201cQue chatos com as caipirinhas&#8230; N\u00e3o sabem pedir cerveja?\u201d<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Miguel, vai levar uma imperial ao Nuno.<\/p>\n<p>\u201cAinda um dia me h\u00e3o-de levar cervejas a mim.\u201d<\/p>\n<p>\u2014 Obrigado. Z\u00e9 Miguel, curte l\u00e1 esta faixa: The Improvised Minotaur, do Spencer Parker. \u00c9 meio jazzy, sincopado&#8230;<\/p>\n<p>\u201cBrutal. Este Nuno \u00e9 mesmo o maior!\u201d<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Migueeel! O que \u00e9 que est\u00e1s a\u00ed a fazer \u00e0 conversa com o dj? N\u00e3o tarda p\u00f5es-te a dan\u00e7ar&#8230; Olha o balc\u00e3o!<\/p>\n<p>\u201cCaralho! Nem uma pessoa pode ter um bocadinho&#8230; De qualquer modo, isto est\u00e1 vazio&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Era uma segunda-feira de Janeiro. A Capela tinha pouca gente. Dois grupos de estrangeiros conversavam na zona das mesas. Ao balc\u00e3o, reuniam-se os noct\u00edvagos do costume, os que nem \u00e0 segunda ficavam em casa e juravam a p\u00e9s juntos que aquela era a melhor noite. Z\u00e9 Miguel j\u00e1 os conhecia, de os ver ali \u00e0 segunda-feira, no Jamaica \u00e0s ter\u00e7as e quartas, quintas no Lux \u2014 e ao fim-de-semana no after do Europa.<\/p>\n<p>\u2014 V\u00e1, vai l\u00e1 atender a Jennifer Lopez.<\/p>\n<p>A \u201cJennifer Lopez\u201d queria uma caipiroska. Largou um suspiro, pegou novamente no pil\u00e3o e olhou para o Nuno Paz, que fazia uma passagem. Tinha combinado com ele ir beber um copo depois do fecho do bar. Queria muito falar-lhe de certas inten\u00e7\u00f5es que andava alimentando h\u00e1 algum tempo. E agora, que trabalhava na noite, tudo lhe parecia muito mais alcan\u00e7\u00e1vel. Mas como passar de detr\u00e1s do balc\u00e3o para detr\u00e1s dos pratos? Contava com a ajuda do Nuno, que parecia conhecer toda a gente.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9s novo aqui, n\u00e3o \u00e9s?<\/p>\n<p>Ergueu os olhos. Ela tinha mesmo a carinha da Jennifer Lopez. Olhou mais para baixo: e o rabinho tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o&#8230; J\u00e1 estou aqui h\u00e1 mais de um m\u00eas. Sabes que \u00e9s muito parecida com a Jennifer Lopez?<\/p>\n<p>\u2014 Achas?&#8230; Por acaso j\u00e1 me t\u00eam dito.<\/p>\n<p>\u2014 Aonde \u00e9 que vais a seguir? N\u00e3o tarda fechamos.<\/p>\n<p>\u2014 Ai n\u00e3o sei \u2013 fez ela, dengosa. \u2014 Estou com uns amigos e n\u00e3o sei o que \u00e9 que eles querem fazer&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Eu vou beber um copo com o dj, que \u00e9 meu amigo. Aquele ali, alto, o Nuno, v\u00eas?<\/p>\n<p>Ela olhou, pegou na caipiroska e foi abanar-se para a frente do Nuno. Em honra da Jennifer, Z\u00e9 Miguel preparou uma rodada de tirinhos.<\/p>\n<p>O bar fechava.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, vamos ao Finas?<\/p>\n<p>Era o Nuno, com a mala \u00e0s costas.<\/p>\n<p>\u2014 O Finas?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, o Finalmente! \u00c9 o \u00fanico s\u00edtio que est\u00e1 aberto hoje.<\/p>\n<p>\u2014 Ai \u00e9? Mas isso n\u00e3o \u00e9 um bar gay?<\/p>\n<p>O Nuno sorriu, complacente, e explicou-lhe que era o s\u00edtio onde toda a gente ia \u00e0s segundas. E que ele escusava de ter medo, ningu\u00e9m lhe ia fazer mal.<\/p>\n<p>Atravessaram o Bairro, desolado \u00e0quela hora. Iam conversando. Z\u00e9 Miguel queria saber se uma mesa de mistura era muito cara; se n\u00e3o dava muito mau estilo p\u00f4r cds; e como \u00e9 que ele, Nuno, tinha aprendido a fazer passagens. O outro ia-lhe explicando, pacientemente. Gostava do puto, do seu modo doce e genu\u00edno. E n\u00e3o era bruto como a maior parte dos rapazinhos que lhe apareciam (e eram em grande n\u00famero) a querer ser djs.<\/p>\n<p>\u2014 Tamb\u00e9m tenho andado a pensar numa cena: que nome \u00e9 que eu hei-de ter como dj? \u00c9 que Z\u00e9 Miguel n\u00e3o d\u00e1! N\u00e3o achas? \u00c9 pouco impactante&#8230;<\/p>\n<p>Gargalhada do Nuno:<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Mig-L \u00e9 que n\u00e3o pode ser, que j\u00e1 h\u00e1. Ali\u00e1s, os nomes j\u00e1 devem estar todos tomados, meu. Agora querem todos ser djs! J\u00e1 reparaste?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, sim, j\u00e1 pensei nisso. Mas tamb\u00e9m querem todos ser designers&#8230; Olha, o que achas do nome DJ 7?<\/p>\n<p>O Nuno olhou-o de trav\u00e9s, surpreendido com a esperteza do puto.<\/p>\n<p>\u2014 Acho bom, mas o melhor \u00e9 pores no google, a ver se j\u00e1 h\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Hum&#8230; At\u00e9 j\u00e1 estou a imaginar o log\u00f3tipo&#8230;<\/p>\n<p>Quando viraram a esquina da Eduardo Coelho, viram uma bicha enorme que subia pela rua acima. Dois travestis saiam de um t\u00e1xi e furaram a bicha, pestanejando.<\/p>\n<p>\u2014 Aqui nunca mais entramos! Vamos ao Cais do Sodr\u00e9.<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Migueel! O que \u00e9 que tu est\u00e1s aqui a fazer?<\/p>\n<p>Era o poeta, que j\u00e1 n\u00e3o via desde a festa do Lux. Foi f\u00e1cil convenc\u00ea-lo a acompanh\u00e1-los: o Bar Americano soava-lhe a bo\u00e9mia, a literatura e a Cardoso Pires. Demais, tinha trazido o carro \u2013 de dois lugares. Sendo o mais novo, Z\u00e9 Miguel resignou-se a viajar na mala, encolhido. Ia ouvindo fragmentos da conversa dos dois amigos, que n\u00e3o se conheciam entre eles.<\/p>\n<p>\u2014 Isto agora \u00e9 uma chatice. Nos anos 80, havia noite todas as noites! Ou se ia ao Fr\u00e1gil, ou se ia ao Trumps. S\u00f3 tinha de se saber se era domingo ou segunda! E mais tarde o Alc\u00e2ntara, que ao domingo era extraordin\u00e1rio! E os Pastorinhos&#8230;<\/p>\n<p>Era o poeta, em mais um daqueles acessos de nostalgia oitentista que Z\u00e9 Miguel j\u00e1 conhecia. Enrolado sobre si pr\u00f3prio, sentiu-se orgulhoso da companhia, e de ser o elo entre duas pessoas mais velhas e t\u00e3o interessantes.<\/p>\n<p>Quando entraram no Bar Americano, pareciam j\u00e1 tr\u00eas velhos amigos. Sentaram-se na mesa ao p\u00e9 da porta, pediram bebidas e apreciaram o ambiente. Encostados ao balc\u00e3o, um grupo de homens, j\u00e1 nos seus cinquentas, fitava o ecr\u00e3 de karaoke.<\/p>\n<p>Passava <em>Adeus Tristeza<\/em>, do Fernando Tordo:<\/p>\n<p>\u201cFiz as cantigas que afinal ningu\u00e9m ouviu<br \/>\nE o meu futuro foi aquilo que se viu<\/p>\n<p>Adeus tristeza, at\u00e9 depois<br \/>\nChamo-te triste por sentir que entre os dois<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1\u00a0 mais nada pra fazer ou conversar<br \/>\nChegou a hora de acabar\u201d<\/p>\n<p>Os homens cantavam em coro. E quando chegavam \u00e0 frase \u201co meu futuro foi aquilo que se viu\u201d, as vozes subiam, emocionadas, tremidas. Punham toda a alma no refr\u00e3o, arrastando a palavra \u201ctriste\u201d, com o olho choroso e c\u00famplice. Abra\u00e7avam-se e pediam mais bebida. O embevecido poeta pasmava.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Miguel contorcia-se na cadeira, e olhava para o Nuno, embara\u00e7ado. \u201cOlha onde eu vim parar! Um bar de karaoke no Cais do Sodr\u00e9, a ouvir uns cotas a cantar uma merda que nem a minha m\u00e3e deve gostar&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Mas o Nuno n\u00e3o parecia nada preocupado; pelo contr\u00e1rio: sorria, e falava de um remix a fazer, urgente, daquela m\u00fasica.<\/p>\n<p>\u2014 Isto com um beatezinho e o pitch acelerado&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, Nuno, por aqui?!<\/p>\n<p>\u2014 Ol\u00e1! Est\u00e1s bom? Pois, vim aqui parar. Que \u00e9 feito?<\/p>\n<p>Era o Nani, escultor, bon vivant, e grande admirador da cultura magrebina \u2013 assim lhe foi apresentado pelo poeta, que tamb\u00e9m o conhecia, o rec\u00e9m-chegado, que comandava um s\u00e9quito de neo-hippies efusivos.<\/p>\n<p>O Nani, duas palavras trocadas (\u201cE as vossas vidinhas? Eh, eh&#8230;\u201d), desapareceu nos fundos do bar. Tinham desligado o karaoke e o grupo de cinquent\u00f5es dispersara.<\/p>\n<p>Restavam os neo-hippies, todos sentados \u00e0 mesa deles. A conversa arrastava-se; resolveram tentar de novo o Finalmente. O poeta recolhia a casa, e oferecia boleia. Z\u00e9 Miguel voltou para a mala do carro. Mas as cervejas bebidas tornaram o percurso encrespado e longo. A conversa dos outros dois, no banco da frente, soava cada vez mais long\u00ednqua. Enfim, sentiu o carro abrandar e, numa s\u00e9rie de solavancos que lhe deram a volta ao est\u00f4mago, parar em plano inclinado.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do carro, o Nuno Paz e o poeta despediam-se, trocando n\u00fameros de telefone, esquecendo o amigo. Quando por fim a porta da mala se abriu, Z\u00e9 Miguel s\u00f3 teve tempo de inclinar a cabe\u00e7a. Nuno Paz desviou os p\u00e9s, a tempo de evitar o jacto de vomitado.<\/p>\n<p>\u2014 Eh p\u00e1, desculpa l\u00e1. Estava todo atrofiado com a viagem. Foi dos balan\u00e7os&#8230; Parecia que estava no mar alto! Eu apanho um bocadinho de ar e fico bem.<\/p>\n<p>Dentro do Finalmente, a atmosfera densa deixou-o azamboado. Encostou-se ao balc\u00e3o, bebeu uns goles de cerveja e olhou, curioso. A pista efervescia. Surpreendentemente,\u00a0 havia raparigas \u2013 alvo, de resto, de acometidas masculinas. Do outro lado da pista, o namorado de uma amiga de Viseu lambuzava-se com paix\u00e3o nos bigodes de um homem de meia-idade. Aquilo era tudo novo para ele, e muito sexual. Ningu\u00e9m perdia tempo nem disfar\u00e7ava coisa nenhuma. Fitou o ch\u00e3o, evitando cruzar olhares. Chegou-se mais ao Nuno Paz, que discutia animadamente com o Nexter e o Z\u00e9 Rebelo, acabados de chegar.<\/p>\n<p>\u2014 Eu acho que ele n\u00e3o sabe fazer passagens&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 mesmo de prop\u00f3sito!<\/p>\n<p>\u2014 Pois, pois. \u00c9 s\u00f3 fade in fade out e j\u00e1 est\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Mas ele tem muito bom gosto! E j\u00e1 toca h\u00e1 muitos anos!<\/p>\n<p>\u2014 Quem? Quem?<\/p>\n<p>Mas eles estavam impenetr\u00e1veis. Z\u00e9 Miguel regressou ao balc\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 \u2018T\u00e1s sozinho, am\u00f4re? Ai, \u2018tou farta destas rapioqueiras, todas umas invejosas e umas dr\u00f3gadas! E tu am\u00f4re? T\u00e1s um bocado p\u00e1lido&#8230; Fazia-te bem um cheiretezinho. Anda, que eu chamo a Suely e vamos as tr\u00eas \u00e0 casa de banho.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, deixa estar, t\u00e1-se bem. Estou com os meus amigos&#8230;<\/p>\n<p>\u2014Ai parece que t\u00e1s parvo! Tu queres ver? N\u00e3o te fazemos mal! \u00d3 Suely, \u00f3 amiga!<\/p>\n<p>E agitava o bra\u00e7o para o fundo da sala. Z\u00e9 Miguel encolhia-se, fascinado com o metro e oitenta, o despacho e o silicone.<\/p>\n<p>\u2014 Ai desqueira qu\u2019ela inda tenha! \u00c9 que tam\u00e9m j\u00e1 \u2018tou toda tonta! Ai car\u00e9do, am\u00f4re, ent\u00e3o entornas-me cerveja pra cima? E logo hoje que trouxe a minha blusa Chanel!<\/p>\n<p>Z\u00e9 Miguel sentia as pernas bambas, e a vontade dormente. Foi arrastado atrav\u00e9s da pista em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Suely:<\/p>\n<p>\u2014 Oi minino! Que gracinha! Onde \u00e9 que c\u00ea descobriu isso a\u00ed, sua pega suburbana?<\/p>\n<p>Uns olhos desorbitados percorriam-no. As pupilas da Suely eram um ponto negro, feroz.<\/p>\n<p>Levado na voragem, abandonado, Z\u00e9 Miguel sentiu a m\u00e3o h\u00famida da Suely na sua, a pux\u00e1-lo para o canto onde calculava que fosse a casa de banho. Antes de entrar, ainda ouviu:<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Miguel, tu por aqui?! S\u00e3o tuas amigas? N\u00e3o sei onde vais parar&#8230;<\/p>\n<p>(Continua)<\/p>\n<p><a href=\"..\/..\/antonia\">Maria Ant\u00f3nia Oliveira<\/a> &amp; <a href=\"..\/..\/neu\">Ant\u00f3nio N\u00e9u<\/a><\/p>\n<p>Publicado originalmente no jornal <a href=\"http:\/\/blog.luxfragil.com\/\" target=\"_blank\"><em>Lux Fr\u00e1gil<\/em><\/a> n\u00ba5 \/ Fevereiro 2009<\/p>\n<h4>ENA PA 2000 \u2013 <em>\u00c9s Cruel<\/em> (Official 1991 Videoclip)<\/h4>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"530\" height=\"418\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/21W2_A-m74c&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"530\" height=\"418\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/21W2_A-m74c&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n<h4><span>Spencer Parker \u2013 <em>The Improvised Minotaur<\/em><\/span><\/h4>\n<p><strong>(Radio Slave @ Creamfields Buenos Aires 2008)<\/strong><\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"530\" height=\"418\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/doEzijVuuvE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"530\" height=\"418\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/doEzijVuuvE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n<h4>Fernando Tordo \u2013 <em>Adeus Tristeza<\/em><\/h4>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"530\" height=\"418\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mdNcRRDD7d4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"530\" height=\"418\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mdNcRRDD7d4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2014 Z\u00e9 Migueeel! 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