{"id":135,"date":"2009-07-15T18:40:34","date_gmt":"2009-07-15T18:40:34","guid":{"rendered":"http:\/\/sindicato.biz\/o_outro\/?p=135"},"modified":"2009-07-16T14:21:26","modified_gmt":"2009-07-16T14:21:26","slug":"capitulo-x-%e2%80%93-%e2%80%9cillusion-is-the-first-of-all-pleasures%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindicato.biz\/o_outro\/?p=135","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo X \u2013 \u201cIllusion is the first of all pleasures\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u2014 Ent\u00e3o, onde \u00e9 que se meteram? J\u00e1 estou na porta 10!<\/p>\n<p>\u2014 Mas \u00f3 Z\u00e9 Miguel, ainda faltam duas horas, man, vou sair agora de casa!<\/p>\n<p>\u2014 Ainda est\u00e1s em casa?! Olha que perdemos o avi\u00e3o!<\/p>\n<p>\u2014 Espera a\u00ed no bar, vai bebendo uma cervejinha&#8230;<\/p>\n<p>Z\u00e9 Miguel desligou, descontente com a demora do Pedro e da Adriana. Conformado, e com medo de parecer parolo (nunca tinha apanhado um avi\u00e3o), dirigiu-se ao bar pr\u00f3ximo. A meio da segunda imperial, ouviu um sotaque brasileiro:<\/p>\n<p>\u2014 Oi minino!!! Que \u00e9 que c\u00ea est\u00e1 fazendo aqui? Z\u00e9 Miguel, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>A um primeiro olhar, n\u00e3o reconheceu a cara sorridente e tumefacta que se chegava a ele. Sim, era mesmo ela! A Suely do Finalmente! Sorriu-lhe, um tanto embara\u00e7ado de a encontrar ali, de dia, com as ma\u00e7\u00e3s do rosto a rebentar, de inchadas, e as longas pernas metidas nuns <em>leggings<\/em> de licra preta, muito discreta.<\/p>\n<p>\u2014 Ol\u00e1. Vou para Barcelona, para o S\u00f3nar. Sabes, o festival&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 C\u00ea vai em Barcelona? Ent\u00e3o vamos junto! Ai minino, c\u00ea sabe que eu agora vou tentar minha sorte em Barcelona! Aqui j\u00e1 n\u00e3o tava dando n\u00e3o. Tenho uma amiga l\u00e1, a Rancia de Jord\u00e2nia&#8230; ela me prop\u00f4s fazer um showzinho na Discoteca Metro. C\u00ea conhece? Todo o mundo conhece! \u00c9 super-chique! E est\u00e3o precisando l\u00e1 de uma C\u00e1rmen Miranda! O Tico-Tico t\u00e1 T\u00e1 outra vez aqui O Tico-Tico t\u00e1 comendo meu fub\u00e1 O Tico-Tico tem, tem que se alimentar Que v\u00e1 comer umas minhocas no pomar! Ahahahah, vai ser a maior goza\u00e7\u00e3o! C\u00ea tem de ir ver, minino, vai amar!<\/p>\n<p>Estupefacto, Z\u00e9 Miguel olhava para ela, a fazer passos de dan\u00e7a mi\u00fados em frente dele, enquanto cantava. O barman, que era brasileiro, piscava-lhe o olho e batia o ritmo com o shaker.<\/p>\n<p>\u2014 Eh l\u00e1! Isto parece o Morrocco Club! \u2014 Era a Adriana que chegava, curiosa e de olho brilhante.<\/p>\n<p>Quando finalmente se apeou do autocarro na Pra\u00e7a da Catalunha e desceu as Ramblas, Z\u00e9 Miguel ainda cantarolava O Tico-Tico ti O Tico-Tico t\u00e1, sob o olhar enternecido da Adriana, que tinha feito amizade instant\u00e2nea com a Suely no avi\u00e3o \u2013 \u201cai esta tua amiga \u00e9 o m\u00e1ximo! Onde se conheceram? Z\u00e9 Miguel, tu \u00e9s uma fonte de surpresas!&#8230;\u201d Z\u00e9 Miguel ficou contente.<\/p>\n<p><strong>Barcelona, segundo dia<\/strong><\/p>\n<p>Comprei um moleskine. A Adriana disse para eu fazer uma esp\u00e9cie de caderno de viagem, e ir escrevendo o que se passasse. Ela disse que era prov\u00e1vel que me esquecesse do que ia viver, e tamb\u00e9m que eu fizesse sempre um esfor\u00e7o para ir registando.<\/p>\n<p><strong>Barcelona, terceiro dia<\/strong><\/p>\n<p>Hoje fomos \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Mir\u00f3 ver uma exposi\u00e7\u00e3o sobre arte e poesia, dum gajo qualquer misturado com o Mir\u00f3. Depois descemos pelas escadas rolantes at\u00e9 \u00e0 Pra\u00e7a de Espanha. Ao fim da tarde, fomos beber cervejinhas \u00e0 esplanada do Born (acho que \u00e9 assim que se escreve). Esta cidade \u00e9 brutal! Agora estou a escrever sentado numa mesa dum bar arte-nova ao p\u00e9 das Ramblas, o London Bar. \u00c9 s\u00f3 cromos \u00e0 minha volta! Parece que o Pedro quer ir ao Moog, que \u00e9 mesmo aqui ao lado. Dizem que \u00e9 um cl\u00e1ssico! L\u00e1 vamos! Amanh\u00e3 come\u00e7a o S\u00f3nar! J\u00e1 fomos buscar os bilhetes!<\/p>\n<p><strong>Barcelona, quarto dia<\/strong><\/p>\n<p>Isto excede as minhas mais loucas expectativas! Gostei de tudo!!!! Vamos l\u00e1 a ver se consigo escrever isto na forma que a Adriana me aconselhou:<\/p>\n<p>1. almo\u00e7o no Quim de la Boqueria, no mercado a meio das Ramblas. A Adriana \u00e9 que encomendava e tratava de tudo \u2013 aquela mulher sabe muito!<\/p>\n<p>2. Demos uma volta pelo Raval, fomos \u00e0 livraria da Adriana e a uma outra onde o Pedro nos levou, s\u00f3 de design! At\u00e9 fiquei outra vez com vontade de ser designer!<\/p>\n<p>3. Mal entrei no S\u00f3nar, passou-me logo a vontade! Que ambiente! Que gente linda! E todos t\u00e3o simp\u00e1ticos! Aquela sensa\u00e7\u00e3o de estar ali \u00e0 entrada, com o baixo a bumbar ao longe, \u00e0 nossa espera! E o live do Luomo \u00e0 tarde no palco principal! Uau!<\/p>\n<p>Acabei por me perder da Adriana e do Pedro uma grande parte da tarde, mas volt\u00e1vamos sempre a encontrar-nos. E eu na maior! Eles andavam um bocado fora (n\u00e3o sei o que tinham andado a tomar&#8230;), mas eu n\u00e3o me perdi. Apanhei uma grande moca com uma coisa l\u00edquida que a Adriana me deu, e dancei descal\u00e7o no S\u00f3nar D\u00f4me. Conheci umas bifas de Brighton muito fixes. N\u00e3o conhecia ningu\u00e9m que estava a tocar, mas era tudo muito bom. Tinha o folheto com a programa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o conseguia focar! Amanh\u00e3 vou tentar ser mais atento. A Adriana diz que o que eu gostei foi de um tal Mulatu Astatk\u00e9, da Eti\u00f3pia. E vi o Nuno Paz, com o Nexter! N\u00e3o sa\u00edam do S\u00f3nar Village, a mamarem tudo duma editora chamada Ghostly International! Mas aquilo era muito melanc\u00f3lico, o S\u00f3nar D\u00f4me \u00e9 que estava bom! Hoje \u00e0 noite h\u00e1 James Holden no Loft, mas \u00e9 preciso pagar e j\u00e1 vi no Lux. Vou ficar a descansar, que amanh\u00e3 \u00e9 todo o dia. Fartei-me de andar, perdi-me e n\u00e3o conseguia dar com a casa da Catarina! Perguntei a uns pol\u00edcias, mas eles n\u00e3o falavam ingl\u00eas. Andei tr\u00eas horas \u00e0s voltas, numas ruas cheias de \u00e1rabes e putas, e sem saldo no telem\u00f3vel! Acho que foi por ali que prenderam uns gajos da Al Quaeda&#8230; E de repente estava mesmo aqui ao lado! Foi c\u00e1 um al\u00edvio! Bem me dizia o Pedro para eu comprar um mapa.<\/p>\n<p><strong>Barcelona, quinto dia<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o 10 horas da noite, e estou num restaurante no Raval \u00e0 espera do poeta. Est\u00e1 c\u00e1 numas confer\u00eancias de poesia, e combin\u00e1mos ir ver a Grace Jones juntos \u2013 j\u00e1 desde aquela noite no Lux&#8230;<\/p>\n<p>Hoje consegui perceber melhor o que andava a ouvir. Quase n\u00e3o sa\u00ed do Village, que \u00e9 o palco maior ao ar livre. Est\u00e1-se l\u00e1 t\u00e3o bem sentado na relva a beber cervejas! S\u00e3o um bocado caras. E bebem-se muitas, com este calor! Comprei um leque, um abanico, como eles dizem. C\u00e1 os homens tamb\u00e9m usam.<\/p>\n<p>Comecei por ir ao D\u00f4me. Estavam os Muhsinah, uns ingleses em concerto a tocar soul. E n\u00e3o \u00e9 que dou de caras com a Carina!!! Eu nem queria acreditar! Depois de tudo o que lhe disse em Lisboa! L\u00e1 estava com a amiguinha a dan\u00e7ar o soul e a abanar o rabinho. Disse que lhe ia buscar umas cervejas e pirei-me. Livra!! Com isto, n\u00e3o voltei ao D\u00f4me.<\/p>\n<p>No Village, era o showcase da BBC Radio. Bem, vi uma banda inglesa fant\u00e1stica, os La Roux, com uma mi\u00fada linda a cantar estilo anos 80! A seguir, foi Bass Clef, que \u00e9 dubstep com metais. A ver se vou conseguindo apontar estes nomes, para depois poder dizer ao pessoal l\u00e1 em Lisboa&#8230; Mas \u00e9 muito dif\u00edcil, porque \u00e9 t\u00e3o fren\u00e9tico tudo, e tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo! A certa altura, apareceram o Nuno Paz e o Nexter que iam ver o Micachu and The Shapes. Fui com eles para uma cave que eu nem tinha ainda dado conta que existia!<\/p>\n<p>Hoje \u00e0 noite \u00e9 o James Murphy! E o Buraka! E o Erol Alkan! Conhe\u00e7o mais gente na programa\u00e7\u00e3o da noite.<\/p>\n<p><strong>Barcelona, sexto dia<\/strong><\/p>\n<p>Acabei de acordar e ainda estou com as pernas a doer, de tanto dan\u00e7ar e andar. Aquilo, \u00e0 noite, \u00e9 tudo enorme! Mas \u00e9 a maior loucura! Est\u00e1 tudo completamente fora, e a divertirem-se que nem danados! E os espanh\u00f3is s\u00e3o loucos! Fartei-me de falar com desconhecidos, todos com uma grande onda e simp\u00e1ticos. Os catal\u00e3es adoram os portugueses! Encontrei um galego na casa-de-banho que era f\u00e3 do Zeca Afonso! E agora tinha descoberto a electr\u00f3nica!<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 n\u00e3o tenho bem a no\u00e7\u00e3o do que vi primeiro e depois, e a que horas foi. Sei que a Grace Jones deu um espect\u00e1culo extraordin\u00e1rio. O poeta embasbacava para ela, de l\u00edngua de fora, e ia dizendo que ela est\u00e1 um bocado diferente. Aquele poeta n\u00e3o tem cura: s\u00f3 queria ouvir o <em>Libertango<\/em>, e falar-me do Piazzolla e de Buenos Aires! No meio daquele multid\u00e3o, vi a cabe\u00e7a da Suely, l\u00e1 mais \u00e0 frente. Devia estar com as amigas travestis espanholas, se calhar a preparar um n\u00famero Grace Jones&#8230;<\/p>\n<p>O James Murphy, como de costume, arrasou. \u00c9 claro que fui ver os Buraka! Deixaram o p\u00fablico doido. Um espanhol, que dan\u00e7ava furiosamente ao meu lado disse-me que estavam todos \u201cde patas arriba!!!\u201d, e que os Buraka davam ganas de bailar! Fiquei orgulhoso, disse-lhe que era portugu\u00eas. Deu-me um beijo.<\/p>\n<p>\u00c0s cinco da manh\u00e3, fui ver o Agoria. Tinha combinado com a T\u00e2nia. Ela veio afinal, e o Bernardo foi para o Fusion, e chatearam-se por causa disso. Encontrei-a ao p\u00e9 do bar, com a Jimmy. Estavam as duas deslumbrantes, devia ser por estarem sem os homens. Fizeram-me uma grande festa e deram-me a beber duma garrafa de \u00e1gua que sabia pessimamente. Fomos l\u00e1 para a frente. Mas aquilo depois complicou-se. N\u00e3o sei se foi da moca, se do cheiro dos cabelos ruivos dela, comecei a sentir-me muito pr\u00f3ximo e muito c\u00famplice com ela. A certa altura, j\u00e1 est\u00e1vamos aos linguados \u2013 e sabiam t\u00e3o bem! A Jimmy, ao lado a dan\u00e7ar, ria. Se pudesse, tamb\u00e9m lhe tinha dado uns beijos&#8230; elas pareciam t\u00e3o dispon\u00edveis. O problema foi que, quando voltei da casa-de-banho (que era longe como a merda), elas j\u00e1 n\u00e3o estavam no mesmo s\u00edtio. Ou ent\u00e3o fui eu que n\u00e3o consegui atinar com o s\u00edtio onde t\u00ednhamos estado. Aquilo \u00e9 t\u00e3o grande! Bem, tive de voltar sozinho, no autocarro, em p\u00e9 toda a viagem, com uma data de bifes a praguejar e a cair para cima de mim. Agora estamos \u00e0 espera da Adriana e do Pedro para irmos outra vez para l\u00e1, todos, com a Catarina e Lu\u00edsa. Eu precisava de dormir mais um bocadito, mas pronto.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Miguel fechou o moleskine, zonzo do esfor\u00e7o da escrita, e intimidado pela entrada da Adriana na sala.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, chavalo, esse di\u00e1rio de viagem, est\u00e1 a fluir?<\/p>\n<p>\u2014 Ai Adriana, isto de escrever d\u00e1 muito trabalho!<\/p>\n<p>\u2014 Pois, \u00e9 para veres! Pensas que \u00e9 a mesma coisa que p\u00f4r discos?<\/p>\n<p>L\u00e1 foram, arrastando-se pelas ruazinhas do Raval at\u00e9 come\u00e7arem a ouvir a batida. Z\u00e9 Miguel come\u00e7ava a sentir-se um barcelon\u00eas \u2013 j\u00e1 tomava a dianteira e indicava o caminho e falava espanhol no caf\u00e9 (\u201cun caf\u00e9 suelo, por favor!\u201d), todo ufano e \u00e0-vontade, sentindo-se em casa, planeando muito abstractamente instalar-se naquela cidade:<\/p>\n<p>Eh p\u00e1! E agora como \u00e9 que eu vou voltar para Lisboa? Fixe, fixe, era vir viver para aqui! Mas como? Estudar som? E a minha m\u00e3e, como \u00e9 que eu a conven\u00e7o? E o pai, o pai? Fuck&#8230; fuck. Tenho a impress\u00e3o que a Adriana me surripiou o moleskine&#8230; quando eu fui \u00e0 cozinha fazer caf\u00e9, e voltei, j\u00e1 n\u00e3o estava l\u00e1 em cima da mesa&#8230; deve querer ler o que eu escrevi&#8230; e utilizar na cr\u00f3nica dela para o jornal do Lux?! Eheheheh&#8230;<\/p>\n<p>Vaguearam pelo recinto durante o resto da tarde. Z\u00e9 Miguel descobriu um cantinho na relva sint\u00e9ctica, onde v\u00e1rias pessoas dormitavam, dispostas em tetris. Deitou-se tamb\u00e9m, e passou pelas brasas, embalado pelo som do showcase da Ed Banger. Acordou com os suaves pontap\u00e9s do Nuno Paz:<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o vieste para aqui dormir?! \u00c9s mesmo tot\u00f3! Vamos, puto! Est\u00e1 na hora de ir para a Fira ver os Animal Collective!<\/p>\n<p>Estava a come\u00e7ar o concerto quando o j\u00e1 extenso grupo de portugueses chegou. O Nuno Paz era amigo do Panda Bear, que vivia em Lisboa, e eles sentiam-se\u00a0 quase como se fossem aplaudir portugueses. Mas o grupo desagregou-se ao fim de meia-hora: uns queriam a Fever Ray; a Adriana falava de um Rob da Bank que tinha escrito um livro e ela queria muito ver; outros n\u00e3o se calavam com os Orbital. Z\u00e9 Miguel, descansado com o soninho da tarde, queria ver tudo. Tinha sede. Na falta de cerveja, bebeu da garrafa que a Adriana trazia \u00e0 cinta, \u201cai! n\u00e3o bebas tudo, Z\u00e9 Miguel!!\u201d<\/p>\n<p>Foi andando atr\u00e1s das manas suas anfitri\u00e3s. Era um longo caminho at\u00e9 \u00e0 Fever Ray. Pelo meio, come\u00e7ou a sentir um calor interno e os m\u00fasculos a relaxar. Bocejou.<\/p>\n<p>\u2014 Ahahah! Est\u00e1s outra vez com sono? Isso n\u00e3o \u00e9 sono, n\u00e3o! Ahahahah!<\/p>\n<p>Z\u00e9 Miguel riu muito. Tinha mesmo muita vontade de rir. Sentia uns c\u00famulos de felicidade alternados com uma calma que o deixava absorto, de olhar perdido.<\/p>\n<p>\u2014 Anda!! Vai come\u00e7ar!<\/p>\n<p>Tum tum tum tum tum When I grow up, I want to be a forester Tum tum tum tum tum Run through the moss on high heels That\u2019s what I\u2019ll do, throwing out boomerang Tum tum tum tum tum Waiting for it to come back to me Tum tum tum tum tum<\/p>\n<p>A Fever Ray era gira. Z\u00e9 Miguel foi andando at\u00e9 se aproximar do palco. Passou pela T\u00e2nia, mas n\u00e3o conseguiu perceb\u00ea-la \u2013 a voz e a cara confundiam-se com a da cantora. Perdeu a no\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o. A certa altura, deu consigo noutra sala, enorme, onde lhe parecia que j\u00e1 tinha estado. Perguntou para o lado, em portugu\u00eas, quem estava a tocar. \u201cUna leyenda: Orbital!!! Mira las pantallas!\u201d Olhou os ecr\u00e3s, esquecido de dan\u00e7ar. Acendeu um cigarro. O sabor acre e agrad\u00e1vel, o fumo lento fizeram-no descer \u00e0 terra. Julgou ver a Carina e o Kal\u00f3 na zona do bar, muito abra\u00e7ados. Gostou do que viu. Resolveu ir ver o que se passava nas outras salas. Precisava de ar livre, de c\u00e9u por cima de si.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o que lhe pareceu uma viagem infind\u00e1vel, chegou \u00e0 sala do fundo. Amanhecia. As caras tornavam-se mais n\u00edtidas. A multid\u00e3o ululava ao som de Carl Craig. Apeteceu-lhe finalmente o sabor da cerveja. Furou at\u00e9 ao bar, agora com um passo mais decidido, como se tivesse acordado de um sonho. Mas\u00a0 a luz da aurora provocou-lhe um refluxo. E come\u00e7ou a ouvir um acorde de \u00f3rg\u00e3o familiar, de uma m\u00fasica antiga que a m\u00e3e tinha l\u00e1 em casa, We skipped a light fandango Turned cartwheels across the floor I was feeling kind of seasick, But the crowd called out for more. Voltou-se para o palco, \u00e0 espera de ver os Procol Harum. Eram mesmo eles! A m\u00fasica falava do moleiro que contava a sua hist\u00f3ria, e do quarto que zumbia enquanto o tecto fugia, e das dezasseis virgens vestais que partiam para a costa. Eram mesmo eles!!<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p><a href=\"..\/..\/antonia\">Maria Ant\u00f3nia Oliveira<\/a> &amp; <a href=\"..\/..\/neu\">Ant\u00f3nio N\u00e9u<\/a><\/p>\n<p>Publicado originalmente no jornal <a href=\"http:\/\/blog.luxfragil.com\/\" target=\"_blank\"><em>Lux Fr\u00e1gil<\/em><\/a> n\u00ba10 \/ Julho 2009<\/p>\n<h4>Carmen Miranda &#8211; <em>Tico Tico<\/em><\/h4>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=M7UgkjTKZks]<\/p>\n<h4>Fever Ray \u2013 <em>When I Grow Up<\/em><\/h4>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"530\" height=\"322\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4F-CpE73o2M&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"530\" height=\"322\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4F-CpE73o2M&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n<h4>Procol Harum \u2013 <em>A Whiter Shade Of Pale<\/em><\/h4>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"530\" height=\"429\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Mb3iPP-tHdA&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"530\" height=\"429\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Mb3iPP-tHdA&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2014 Ent\u00e3o, onde \u00e9 que se meteram? 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