West Coast no CCB

October 21st, 2009 Filed under: Author by nelson guerreiro

Centro Cultural de Belém – 24, 25, 26, 27 e 28 de Outubro

Sab: 19h00; Dom: 15h00; 2ª-3ª: 21h00
Entrada: € 10,00
Reservas: 213612444

Um espectáculo criado em torno da ideia que já serviu de mote a uma campanha de promoção turística de Portugal. «West Coast», a costa Oeste da Europa, é uma co-produção A Truta / CM Lagoa / CCB, com direcção de Rúben Tiago, co-criação de Daniel Worm D’Assumpção, Joaquim Horta, Márcia Lança, Nelson Guerreiro, Raul Oliveira, Rúben Tiago, Sofia Ferrão e Tónan Quito.

West Coast

September 1st, 2009 Filed under: Author by nelson guerreiro

Auditório Municipal de Lagoa – 5 de Setembro – ESTREIA NACIONAL

Centro Cultural de Belém – 24, 25, 26, 27 e 28 de Outubro

Descubra o/a West Coast® e venha deleitar-se com a TrutaTM

Porque ficar em casa é mais caro!

WC® é um lugar mítico, um território de sonhos, para onde se vem e onde se chega para nunca mais voltar. Uma jóia revestida por um imaginário colectivo a sonhar com as férias das suas vidas. Um cenário envolvente com múltiplos atractivos e encantos particulares numa atmosfera mágica e inesquecível a perder de vista.

Tantas emoções e repercussões sensoriais num só palco, onde tradição e modernidade andam de mãos dadas, no limiar do místico.

Se está cansado do velho continente saiba que esta é a terra há muito prometida. Por isso, venha conhecer o autêntico paraíso: “a Califórnia da Europa”.

Se gosta de ter boas razões para acordar cedo, de ser desafiado pela natureza, de bares abertos e buffets coloridos e vibrantes, este é o lugar certo.

Deixe-se levar pelos sentidos e tenha a imaginação sempre à mão. WC® são gestos de ternura que ficam para sempre.

Are you ready?

Direcção: Rúben Tiago

Co-criação: Daniel Worm d’Assumpção # Joaquim Horta # Márcia Lança # Nelson Guerreiro # Raul Oliveira # Sofia Ferrão # Tónan Quito

Produção: Henrique Figueiredo

Co-produção: Truta # Auditório Municipal de Lagoa/CM Lagoa # Centro Cultural de Belém

Projecto financiado por: Direcção Geral das Artes / Ministério da Cultura

Apoios: Carristur # GDC Os Amigos do Minho # Grupo de Pauliteiros de Miranda de Lisboa # Go Car # Lisbon Walker # Museu TAP # Ponto de Encontro/CM Almada # Rancho Folclórico As Ceifeiras e Campinos da Azambuja # Soazilope, Lda. # Teatro Praga # Tennis Club House # Transtejo

Um Projecto de Nelson Guerreiro

November 13th, 2008 Filed under: Author, Performer by nelson guerreiro

Conferência/Performance

Integrado no programa de actividades pararelas do projecto Marte nr. 3 - “De que Falamos quando Falamos de Performance”

Terça 18 • 21h30 • Pequeno Auditório da Culturgest

Entrada gratuita • Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.

Foto de Tatiana Leal

(…)
Palavras chave
Assimetria. Representação. Autobiografia vs. autoficção. Personna. Ficção vs. realidade. Cinismo. Interpelação. Unheimlich. Interpassividade. Gula livresca. Desperdício. Arquivo. Influência. Assimilação. Apropriação. Manipulação. Remake. Vampirismo. Transformação. Autoria. Autenticação. Motivações. Emoção. Melancolia. Medo. Amor. Distopia inevitável. Autenticidade. Perda. Abandono. Jactos de memórias. Recordar é viver. Recuperação. Fixar. Captura. Palavras. Notas. Post-its. Cadernos. Obsolescência. The art of living. Blah blah blah blah. A vida continua

Resumo

Os dados na mesa
Tenho sempre tantas coisas para dizer. Imensas. Nunca sei por onde começar. Esforço-me por começar bem querendo acabar melhor. Passo horas à procura de um bom remate final que, em geral, não quer fechar. Objectivo: entregar-se por fim ao leitor, cumprindo a minha vontade de desaparecimento. Como se a partir daí inaugurasse outra vez. Abrindo. Uma abertura que não consigo imaginar. A leitura é tão misteriosa. O que cada um faz com que aquilo que lê, ouve, vê é um enigma indecifrável. É inútil deter-me na projecção das condições e dos resultados desse desvendamento, pois sinto que fico sempre longe, ora pela proximidade pegajosa do discurso partilhado, ora pela impossibilidade de tangibilizar tudo aquilo que por dentro se despoleta no(s) outro(s). Deixei de ir atrás disso. Ufa! Que alívio, qual laxante criativo. Do it yourself. Just do it. I really care, but I quit to look for it.

(…)

Como é que se supera a insuportabilidade de não ter conseguido ler tudo aquilo que gostaria de ter lido? Ouvir tudo aquilo que separei? Ver tudo aquilo que queria ver? Para a exterioridade do shock é transformada em interioridade. Embatendo na constatação que serve de consolo, mas que não faz desaparecer. E vai ser sobre…? Se já. Sobre como aceitar aquilo que é possível. Sobre como aceitar as contigências que inviabilizam os planos iniciais. Sobre como não precisar de (auto)justificações para continuar. Sobre como controlar as expectativas. Sobre como não ficar preso, nem bloqueado quando a resposta a esta pergunta me incapacita, sendo por isso passível de resultar num fracasso estrondoso, se vou à procura de arrumar a profundidade num imediato partilhável e a sua multiplicidade em frases-resumo que definem e encerram, ficando-se pronto e a postos para perscrutar outras vozes - inscritas, digitalizadas, gravadas, isto é fixadas, seja qual for o suporte -, que estão na fila, que é como quem diz nas estantes por ordem, à espera do meu atendimento personalizado. Sim, porque é isso que, no fundo no fundo, espera quem se atreve a dizer coisas a pessoas, sem rosto, inimagináveis, por fora e por dentro. E querer fazer disso a pedra de toque, será pretensiosismo ou tão só aproveitar a maré, questionando as modalidades e utilizações da recepção artístico-cultural de todos aqueles, quer dizer alguns: nós - nunca todos sem excepção -, que num tempo de grande oferta, em que quantidade, senão bem feita a digestão, congestiona. Porque afinal para que serve armazenar e consumir no último dia só para não deixar passar o prazo de validade e carregar de sentido a prática regular? Para dar sentido às escolhas que definem os estilos de vida? Para promover a sensação de acompanhamento? Que estamos lá? Que estivemos lá? Para isso, é preciso encontrar alguém que gostaria de lá ter estado para atribuir valor. Caso contrário, não serve de nada. Desimportância. Emptiness. À questão responder-se-á no acesso aos dados e à forma como se entende um projecto. Beckett dixit: Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail Again. Fail better. Por isso, eu vou lá estar à espera sentado.

Excerto de Um Projecto de Nelson Guerreiro

A FESTA

July 19th, 2008 Filed under: Writing by nelson guerreiro

Teatro Maria Matos
de 3 a 27 de Julho
4.ª a sáb. às 21H30 | dom. às 17H00

A FESTA é a primeira criação resultante do projecto Estúdios. Este
espectáculo tem origem em três workshops dirigidos pelo realizador português
João Canijo, pelos directores artísticos da companhia norte-americana Nature
Theatre of Oklahoma, Pavol Liska e Kelly Copper, e pelo coreógrafo congolês
Faustin Linyekula. Ao longo destes workshops, a equipa artística deste
espectáculo explorou diversos processos de trabalho e desenvolveu vários
fragmentos de uma obra teatral dedicada ao tema da “festa”. De seguida,
autores e actores fundiram as suas experiências anteriores, encontrando a
sua própria forma de criarem um espectáculo sobre este tema, que é um
convite não só à invenção, mas também à celebração.

criação colectiva |
texto Filipe Homem Fonseca, Nelson Guerreiro e Tiago Rodrigues |
interpretação Cátia Pinheiro, Cláudia Gaiolas, Joaquim Horta, Marcello
Urgeghe, Rita Blanco, Tiago Rodrigues e Tónan Quito |
cenário e desenho de luz Thomas Walgrave |
produção, adereços e fotografia Magda Bizarro |
assistente de produção e adereços Moirika Reker |
produção Mundo Perfeito e Teatro Maria Matos |
em co-produção com Festival de Almada 2008, Alkantara Festival, CAPa e Casa
das Artes de Vila Nova de Famalicão

Sete personagens fora de água

(Texto de Francisco Frazão para a folha de sala do espectáculo “A Festa”, em
cena até 27 de Julho no Teatro Maria Matos)

O que há num tema? Se o projecto Urgências produzia espectáculos feitos de
peças curtas em que se perguntava a cada autor(a) o que tinha ele/ela de
urgente para dizer, o seu sucessor, os Estúdios, desagua num texto único
(embora escrito a várias mãos) feito a partir de uma ideia que muda
anualmente ­ nesta primeira edição é A Festa. Trabalhar a partir de um mau
tema pode acordar memórias desagradáveis de redacções da quarta classe, mas
há palavras que têm a estranha capacidade de aglutinar à sua volta imagens e
discursos poderosos, contraditórios e actuais. “Festa” parece ser uma delas
(e a prová-lo o facto de aparecer em vários títulos, basta pensar em
Celebration de Pinter, Festen de Thomas Vinterberg ou La Festa de Spiro
Scimone). A festa pode ser o final feliz da história, remate clássico e
não-problemático de uma narrativa cheia de peripécias: finita la commedia.
Mas nestes tempos em que somos obrigados a divertir-nos, em que a cultura é
sofregamente engolida nessas ocasiões ­ da mesma família semântica ­ a que
chamamos “festivais” (e este projecto comete a proeza auto-irónica de ser
co-produzido por dois!), as complicações começam quando a festa é a história
toda ­ basta pensar nalguns clássicos do realismo psicológico como Quem tem
medo de Virginia Woolf? Uma reunião de pessoas com graus diferentes de
intimidade entre si, tensões latentes e substâncias alcoólicas ou outras
circulando em abundância são ingredientes ideais para uma noite animada ­ se
não para os convivas, certamente para quem está na plateia. As máscaras
caem, a violência explode, há uma espécie de catarse e a luz da manhã traz
um olhar diferente sobre a vida.
Mas este espectáculo é um iceberg em que a parte submersa quer continuar a
sê-lo e só muito raramente espreita ­ as personagens hão-de desagregar-se e
vão dizer-se verdades e meias verdades, só que as pistas correm o risco de
passar despercebidas na confusão das vozes. Quem são estas pessoas, o que
comemoram? As respostas serão tardias e fragmentárias. Subvertendo as regras
do realismo, com os seus dez minutos de exposição e as informações cruciais
ditas três vezes, aqui tudo isso fica debaixo de água. Se nas peças de
Tchékov a espingarda que se vê no I Acto dispara no III, nesta festa o que
se perde já não se encontra. Isto que é uma tomada de posição estética
deriva também do próprio processo de produção. Para além das habituais 6
semanas de ensaios houve três workshops para construção de um mundo e
exploração do tema, em que participaram os criadores deste espectáculo mas
também gente de fora, orientados por artistas com percursos tão estimulantes
quanto divergentes. Definiram-se personagens e relações, dançou-se e
cantou-se, aprendeu-se a importância das conversas sem importância. Mas
agora essas personagens já não estão ansiosas por nos mostrar quem são,
esqueceram-se da intriga e estão simplesmente a jantar umas com as outras. É
por isso que o texto, que tem três assinaturas mas foi discutido por todos,
quase não tem indicações cénicas: não era preciso, são os actores quem as
escreve no palco. Todo esse trabalho prévio, essa experiência de vida em
comum, já só está entre as falas, nos espaços entre os corpos: como a areia
das amêijoas lembra o mar.

Francisco Frazão

LiveXXXthoughtsandacts

April 21st, 2008 Filed under: Author by nelson guerreiro

Preliminares

O primeiro filme porno que vi foi há cerca de dezoito anos. Mesmo que a memória me falhe, vou convencionar que foi um filme da Cicciolina. Um filme chamado Loucuras de uma deputada. A sessão foi colectiva. Estava no sétimo ou oitavo ano. O filme foi arranjado por um colega de turma que o tinha surripiado ao seu irmão mais velho, como resposta à interdição imposta por ele em nome da salvaguarda do normal desenvolvimento sexual do seu irmão mais novo, querendo retardar a entrada na fase da adolescência masturbatória. Em tão boa conta o tinha. O meu colega andava há uns dias a prometer vingança e a desdenhar o irmão pelo paternalismo e falta de interesse demonstrados na sua iniciação sexual. A abdicação de ficar na história da sexualidade provocou a iniciativa do meu colega. O golpe foi preparado com todo o cuidado e rigor. Eu e mais uns colegas colaborámos nos detalhes domésticos e o visionamento estava prometido assim que o golpe fosse levado a cabo. Bem dito, bem feito. Quando ele trouxe a cassete vídeo para a escola, celebrámos o sucesso da missão e da escola à minha casa foi um passo. Porta da rua trancada, persianas corridas, lugares ocupados, latas de coca-cola, sumol e cerveja ao lado de cada corpo, carregámos no play que se fazia tarde. O que a gente se riu nos primeiros minutos. Depois instalou-se um silêncio que fez adivinhar o melhor. As idas à casa de banho foram constantes e as risadas voltaram sempre que se ouvia na sala o som da volta da chave a trancar a porta, acompanhados de bocas sem interesse. Perante tais preparos, a minha preocupação incidiu sobre as provas despejadas na sanita e arredores, pensando: ai se a minha mãe sonha com o que está aqui a acontecer. Por isso, exigi não só uma limpeza integral, como a cada saída fui-me certificar do estado em que tinha ficado o sanitário. Tudo a brilhar. Impecável! Era pessoal de confiança. Daí em diante, as sessões repetiram-se ao ritmo das novidades, ou seja, dos filmes novos que se iam arranjando. Nunca fizemos uma sessão com um filme repetido, pois ninguém queria ficar preso a uma cara, muito menos a um corpo. Tão sensatos que nós éramos! Queríamos descobrir o mundo, e os filmes pornográficos, à semelhança, anos mais tarde, dos livros, das conversas, das viagens, das…, dos…, são óptimos meios para o apreender e interpretar. Assim sendo, quanto maior a quantidade de informação, menor nos parecia o tamanho no mundo. O silogismo é discutível, mas na altura ninguém se lembrou disso. Tanto que houve tardes em que, antes de irmos para casa, íamos ao supermercado comprar detergente. E foi assim que aprendemos a limpar casas de banho, sem termos a mínima noção dos efeitos co-laterais do consumo de pornografia. Esse é só uma das suas virtudes.

“OOOOH! OOOHHHH! OOOOHHH!, I’M COMING! GOD! COMING! COMING! DON’T STOP, DON’T STOP! FUCK ME, FUCK ME, FUCK ME!”

Peço desculpa! Este era o som de um filme que estava a rever há pouco. A ocorrência deveu-se à expiração do tempo da função pause. Lamento o eventual desvio na leitura ou por activar a imaginação pornográfica ou por excitar sexualmente. Em qualquer dos casos, ou mesmo na ocorrência dos três não é grave, pelo contrário, até aproxima o leitor do que aqui se tratará.

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