C-days: encontros sobre a nova comunidade
November 8th, 2008 Filed under: Uncategorized by LankaCidadãos com temas comunitários quentes, precisem-se. Venham dinamizar um C-day!
A série hibernal de encontros C-days, a arrancar ainda em Novembro, pretende explorar as potencialidades da cidadania activa, os formatos emergentes de organização mútua e os contornos de um novo sentido comunitário ou até mesmo uma nova concepção social, enquanto paralelamente espera ajudar a capacitar redes sociais informais que se baseiem na troca e colaboração para realizar projectos comunitários.
Contacto: thecdays@gmail.com
The Agenda elects Obama
November 5th, 2008 Filed under: Uncategorized by LankaThe Agenda allowed Obama to get elected for reasons that have absolutely nothing to do with what motivated voters to tick Obama’s checkbox. But despite my professed reservations, I do have a secret hope, and with me millions of people, that Obama is more than the Agenda, although we won’t see this as soon as we’d like.
Para escolher um lado, é preciso conhecer os dois
November 5th, 2008 Filed under: advertising by LankaÉ raro fazer publicidade a um anúncio (para além de ser um contrasenso) e como só vejo RTP2, é também raro apanhar os anúncios.. Mas este passa na RTP2, podemos discutir se isso é ético ou não, o facto é que está bem-feito e que inspira a sentimentos que vão para além do desejo de aderir à marca promovida. Para além de não fazer promessas que a marca não possa (tentar honestamente) cumprir.
No dia Europeu sem carros, que tal um pouco de exercício.. de cidadania?
September 19th, 2008 Filed under: Uncategorized by LankaVimos convidar a todos os e todas as Lisboetas para na próxima segunda-feira dia 22 de Setembro, programarem o despertador para mais cedo e ao acordar (depois de um duche frio) fazerem o seguinte exercício*, acessível mesmo aos menos ginasticados:
- imaginem por um dia que não há carros (particulares), que as ruas, inesperadamente espaçosas e convidativas, aos cidadãos pertencem para nelas passear, conversar, namorar, brincar e festejar, que não há barulho nem poluição nem riscos de atropelamento ao virar de cada esquina, nem chicos e chicas espertos. A calçada parece novamente branca, nenhum detalhe desta bela cidade está escondido por baixo ou por detrás do habitual metal amontoado, as árvores respiram fundo e os pássaros cantam com a certeza de serem ouvidos. Por um dia, a cidade parece confortavelmente pequena e acessível e muito vivível. O que fariam?
Eu e a Ava já sabemos: vamos percorrer os 12,5 km desde Alfama até à escola de bicicleta..
E vós que transporte escolheis?
saudações citadinas
*a câmara só vai fechar parte da Baixa, daí o apelo à vossa imaginação :-))
..mas tem algumas iniciativas interessantes.
Radio Ballet liberta Lisboa
July 10th, 2008 Filed under: Culture, Culture jamming by LankaBrilhante. A Antena 2 associou-se ao grupo alemão de teóricos de media e artistas de rádio LIGNA, conhecido pelos ‘ballets de rádio’ que realiza desde 2003 em várias cidades da Europa, para criar um mix de flashmob, teatro e narrativa de rádio na Rua Augusta.
A LIGNA explora os efeitos da difusão por rádio na difusão em geral, procurando vias de transformar o acto de recepção numa intervenção performativa no espaço público. O acto individual de ouvir rádio vira produção colectiva, com resultados sempre imprevisíveis.
Foi hoje, sob o tema ‘em busca da revolução perdida’, uma reconstituição alternativa do dia 25 de Abril 1974, e teve uma excelente adesão. Lisboa entra no ranking das cidades que ousam desformatar a expressão da cultura.
“when giants are scarce, they must be invented”
June 20th, 2008 Filed under: Culture jamming by LankaO fenómeno de culture jamming, que projecta a liberdade de expressão para onde ela deve estar, à vista, retomando a rua, a Web, a rádio, os espaços comerciais e talvez um dia a TV, não sendo novo, está cada vez mais bem organizado, engenhoso e vociferante. Desde as formas mais inocentes de sticker art tais como o Bubble e Decapitator, passando pelo elusivo artista urbano Banksy que vende por meio milhão de libras sem ver um tostão e os incansáveis Adbusters, até os movimentos que levam o credo bem mais longe: Space Hijackers, The Immediast Underground e os hilariantes The Yes Men, trata-se de um leque enorme de activistas contra-cultura. Cada qual excelentemente versado na arte da comunicação e a sua subversão. São 300 anos de publicidade afinal. Sessenta anos de mass media. Ok, só 15 anos desde a incursão na internet. Mas é natural que estejamos em igual medida familiarizados com e desconfiados das mensagens com que somos bombardeados a cada instante acordado. A publicidade colonizou todos os nossos espaços públicos e privados. Nada, nem o impulso mais básico, nem o pensamento mais anárquico, nem mesmo o sentimento mais íntimo, escapa ao patrocínio das marcas.
Em troca da nossa fidelidade eterna e silêncio cúmplice e na crescente ausência de alternativas económicas e sociais, as marcas financiam os nossos projectos comunitários, os eventos culturais a que temos direito e as nossas redes sociais. A nossa pretensa liberdade de expressão é possível graças a servidores e programas nas mãos de meia dúzia de corporações geek, muito atentas às nossas baboseiras. E na era do estado social pré-falido as marcas financiam também as nossas infra-estruturas, escolas, clínicas e até as nossas autarquias empobrecidas, sendo o caso da Praça das Flores, agora Praça Skoda, um exemplo paradigmático e não uma excepção.
Afinal, as grandes marcas gerem economias maiores do que muitos países. Das 100 economias mais ricas no mundo, 51 são multinacionais. Numa era em que somos o que compramos, e onde compramos tudo pois já não sabemos produzir, são elas que detêm o poder. Qual big brother governamental, meet the brand, é a nossa big sister!
No entanto já descobrimos, nós os produtos colaterais das marcas, que o poder pode ser retomado. Graças à Disney, MacDonalds, Coca-Cola e irmãs, a publicidade está-nos no sangue. Respiramos marketing, comunicação, design e moda desde a nossa mais tenra idade. Estamos inclusive já um passo à frente das equipas de marketing, que para combater a resistência mental aos meios tradicionais de promoção se viram obrigadas a ir para a rua, infiltrarem-se de maneira pouco subtil nas subculturas dos jovens e mascarar o apelo ao consumo como uma forma de arte. Fazemo-las pagar este privilégio. Qualquer jovem que aparece em mais um evento patrocinado conta levar umas borlas para casa. E se não houver, procura outra marca. Dizia o McLuhan (o mesmo que afirmou celebremente que ‘o meio é a mensagem’) que se a publicidade funcionasse a 100%, já se teria liquidado a si própria (in Understanding Media, 1964). Já há bastante tempo que a publicidade se vende sobretudo a si mesma: “when giants are scarce, they must be invented” (in The Mechanical Bride, 1951).
A promiscuidade das marcas com a vida comunitária, pessoal e cultural é de tal ordem que as técnicas nada refinadas (em formas, essas sim, muito sofisticadas) por elas usadas para criar a ilusão que são a nossa família, facilmente se viram contra elas. É caso para dizer que a publicidade foi um sucesso que o marketing não conseguiu acompanhar, nem com mais 3, 5 ou 7 p’s. Confunde-se com as artes ao ponto de se ter tornado uma arte. Enquanto a resistência ao domínio das marcas aumenta e já ninguém quer falar com os telemarketeers, a publicidade leva uma vida própria que tanto joga a favor como contra a vontade dos seus financiadores.
Famosos exemplos da apropriação dos formatos de publicidade (e incluo obviamente o design) para a reconquista dos espaços públicos físicos e etéreos são a alteração de outdoors (melhoramento como dizem os Billboard Liberation Front), a modificação gráfica ou física de produtos em prateleiras de supermercados e lojas (o chamado ‘droplifting’ - o Banksy infiltrava-se em galerias para pendurar os seus quadros), a intervenção nas ruas (o graffitti, mas também instalações como os conhecidos contornos de pessoas nos passeios), a recriação ‘with a twist’ de actividades publicitárias (Free Paper War), a criação de ‘faux’ sites que pintam uma imagem um pouco diferente da marca em nome da marca (o da Dow é o mais conhecido), o lançamento de campanhas fictícias (cada vez mais convincentes como esta dos 01.org), e, para os mais corajosos, o ‘hijinxing’ - a infiltração em conferências com credenciais fictícios para, por exemplo, ensinar aos directores da Exxon como é que se faz combustível com as vítimas das alterações climáticas.. (Vivoleum)
Tal como compete a um bom publicitário, a mensagem dos culture jammers é clara. As marcas não poderão continuar a ser impunes. Uma nova ética está lentamente a impor-se desde os anos 90. A falta de transparência e de respeito pelo bem comum e o culto da criação de valor exclusivamente para accionistas têm os dias contados. O que os exemplos surpreendentemente bem-sucedidos de campanhas falsas e acções de subversão (como o Bill Gates a levar com uma tarte na cara apesar da forte segurança que o rodeia) nos mostram é que o poder em última instância está nas mãos dos consumidores, tanto por serem o pilar em que assenta o modelo actual de mercado como pelo simples facto que são a maioria. Se o público pode depor um governo, pode certamente obrigar uma empresa a alterar as suas práticas. É um erro sério desvalorizar a força da opinião pública. Nunca se sabe qual o faux-pas público que vai fazer com que os consumidores deixem cair a sua marca favorita.
O aviso foi dado talvez não pela primeira vez mas de maneira mais dramática em 1997 por um rapaz de 13 anos do Bronx que descobriu que os seus sapatos Nike pelos quais pagou 180 dólares só custavam 5 e que foi entregá-los à porta da loja da marca com os seus amigos. Fixando a câmera da Fox News, entregou uma mensagem ao CEO Phil Knight: “Nike, we made you. We can break you”.
Quando as ruas dançam
June 18th, 2008 Filed under: Culture, New formats by LankaMeia-noite de Sexta-feira dia 25 de Janeiro. Yet another night no Bairro Alto. Os bares com autocolante azul transbordam, junto aos bares de autocolante vermelho formam-se multidões à porta, de copo de plástico numa mão, cigarro noutra. A demografia é de uma mistura pouco misturada de estudantes, publicitários, people from cinema, funcionários públicos, cotas, cromos, turistas perdidos, o ocasional vadio. O trânsito é previsível, de bar em bar, numa rotina preestabelecida por cada um dos grupos demográficos. Por acordo social silencioso, ninguém entra em discotecas antes das 3 da manhã, resultando em enormes engarrafamentos nos sítios temporariamente abençoados pela atenção dos fregueses e limitando brutalmente a liberdade de expressão corporal. O décor é de beatas, copos de plástico partidos, mijo, graffiti que não merece o nome, dealers nos cruzamentos das ruas. Entre os bares as ruas estão escuras e silenciosas. A quem não conseguiu estar bem acompanhado/a até às 5 da manhã, e depois de desbravado o desafio de entrar numa discoteca quando não se é people from cinema (são 10 euros, por favor), espera ainda uma hora humilhante de engate desesperado até às luzes ofuscarem o delírio e iniciar-se a caça ao táxi.
Mas eis que esta sexta-feira a rotina da noite, com tanto ‘quê’ de reconfortante como de deprimente, é rompida por tons de festa popular na tradição da música do Kusturica. Subitamente os grupinhos polvilhados e mutuamente exclusivos fundem-se num só: viram público de uma banda de fanfarra que se parece ter magicado do nada. A Rua da Bica enche à volta do grupo de músicos e gere-se uma cumplicidade quase esquecida. A rua animou!
Abrem-se janelas nos andares de cima de onde saem cabeças com rolos. Hoje não chamam a polícia, hoje esboçam sorrisos. Entretanto os fregueses bicaenses, habitualmente de tracto recalcitrante, seguem docilmente as instruções do animador da banda e a rua dança, dança. A minha amiga lembra-se de solicitar uma serenata e a banda e o público, que entretanto cresceu para centenas, viram-se para uma senhora de certa idade à janela e cantam bésame. A senhora brilha como a lua. A banda segue numa digressão de várias horas pelo Bairro Alto, arrastando atrás de si uma multidão fascinada. Não sem os seus perigos (o entusiasmo e a excitação desmedida confundem-se a certa hora, sobretudo quando se está a menos de um metro da banda), a iniciativa resulta no entanto numa noite refrescantemente diferente para o velho bairro.
A mim encheu-me o coração. Fez-me lembrar as festas de rua e de bairro, de cidades como Amesterdão, Londres, Barcelona, Paris, umas legais, como o 14 juillet e o dia da raínha, outras menos (Reclaim the streets), todas legítimas. Nada bate esta sensação de comunidade que renasce quando as ruas são devolvidas às pessoas. Despidos dos artifícios do status, sem o nosso carrão, fora da nossa casa estilosa, somos todos vizinhos e podemo-nos entregar sem reservas à festa.

