Performer

Guerrero Notebook: de voyeur a diseur

17 de Novembro (quarta-feira) • 19h • Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal

Inserido na programação dos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas – uma co-produção do São Luiz Teatro Municipal e do Colectivo 84.

Guerrero Notebook: de voyeur a diseur

Um olhar agudo sobre os Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas ou, por outras palavras, sobre tudo aquilo que se disse, mas também sobre tudo aquilo que se disse e não se ouviu e, ainda, sobre tudo aquilo que não se disse e que nunca se poderia ter dito mas que se vai dizer porque devia ter sido dito e é para ser ouvido.

Uma conferência-performance de Nelson Guerreiro com a colaboração de Ágata Alencoão e Martim Pedroso

A olhos nus

“A minha proposta de intervenção nos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas consiste em assumir a figura de observador, chamemos-lhe assim, muito atento a tudo aquilo que acontecerá ao longo dos três dias.

A minha observação, qual voyeurismo, pode materializar-se em dois momentos:

1. numa conferência-performance que poderia ser apresentada dentro de uma eventual sessão de encerramento ou num formato a definir após discussão da presente proposta, onde faria uma espécie de balanço dos Encontros, partilhando o meu olhar sobre o que aconteceu durante os três dias, destacando os principais momentos. Por outras palavras: ressoar o que se disse e os ecos de todas essas palavras que permitirão criar um fresco, em jeito de olhar retrospectivo. Em suma, proponho-me criar um momento em que se produz um discurso que já está a servir como fixador de memória e a influenciar o discurso posterior (a curto, médio e longo prazo) sobre o que aconteceu.

2. na escrita de um texto para difusão posterior, digital ou impressa (no caso de haver alguma publicação).”

(Excerto da proposta apresentada ao Colectivo 84 para a minha participação nos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas, redigida em Abril de 2010)

Observação, voyeurismo, intrusão, autoficção, coscuvilhice, mitomania, texto, escrita e, claro, dramaturgia, poderão e deverão ser palavras-chave da conferência-performance.

Vamos a ver se estarei vivo para o fazer, tendo em conta a exigência física da proposta. De qualquer modo, e salvaguardando a concretização do desafio de alto risco, tomei as seguintes providências: vou ter colaboradores, o seguro de vida está feito, tal como já está escolhido o substituto.

Nelson Guerreiro

Festa de Despedida17 de Novembro (quarta-feira) • 24h • Club Souk

Inserido na programação dos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas – uma co-produção do São Luiz Teatro Municipal e do Colectivo 84.

Título do set:

Guerreiro Galante: Ordem para Animar

(a selecção musical não incidirá sobre hits, nem visará o apontamento nostálgico, muito menos o imaginário retro. A ironia estética não vai ser p’ra aqui chamada. Quanto à alta voltagem, temos algumas dúvidas, pois o espaço é curto. Assim à partida, aquilo que garantimos é que será um set sobre o amor poder voltar a ser opção. – Sim, estamos numa relação!)

Texto de apresentação:

É muito excitante, mas é difícil.

Depois de três dias intensos e intensivos, vividos a um ritmo vertiginoso, em que quase não houve tempo para o convívio, eis-nos chegados à festa de encerramento. Antes de fechar há que dançar, mesmo que seja só uma música. É a pensar em estimular essa dança única, a nível individual, que as músicas serão postas. Por isso, é bem possível que passe despercebido esse solo libertador, motivo mais que suficiente para cada um – de vós/nós – ocupar o centro da roda improvavelmente organizada. Essa entrega desancada e incógnita – para o colectivo co-presente à música – será a razão do nosso contentamento. Prometemos músicas agentes provocadoras e estar sempre a pensar no próximo isco dançante. Quem é que irá mordê-lo/s? Não restam dúvidas que será alguém que acha que sabe dançar.

Guerreiro Galante: Ordem para Animar terá um alinhamento que vai evocar o gosto pela música techno de Angélica Lidell, a reverência ao rock duro de Rodrigo Garcia, a predilecção de Heiner Müller pelas árias galopantes de Ravel e o entusiasmo de Juan Mayorga pelo electro do final de século XX. Nessa selecção, não  esqueceremos a idolatria de Hans-Thies Lehmann pelos SuperMayer, o fascínio de Bernard-Marie Koltès pelos Rammstein e pelas bandas sonoras dos filmes de David Lynch e dos filmes de Jacques Tati, a admiração incondicional de Pavol Liska por Rhianna e o fanatismo seguidor e, por vezes, culpabilizante de Tiago Rodrigues pelo Tiga.

Posto isto, as músicas partilhadas e assimiláveis através das speakers serão didascálias que têm um objectivo-mor: incitar à entrada em cena de corpos dançantes, mesmo sem saírem, aparentemente, do mesmo sítio e à emissão de palavras ditas à orelha mais acessível. Em suma, um alinhamento que espera estimular diálogos a dois ou a três ou a quatro, numa dramaturgia de encontros imprevisíveis em ambiente festivo que podem provocar repetidas vezes a pergunta: What was that? – em versão multilingue.

Posto isto, não se recomenda nada em particular. Aparecer já não é pouco. À vossa saúde! A meio da noite haverá alguém não identificado, por agora, a dizer: – Everything will be nice, booty and beautiful. At the end of the party, we’ll be well dead.

Guerreiro Galante

Quem somos:

Guerreiro Galante é uma dupla in/acidental de Dj’s formada por Nelson Guerreiro e João Galante. Esta será a sua sexta actuação. Assim sendo, haveria muito para dizer, mas preferem como o Mr. Bartleby, não o fazer. Creditam apenas a garantia de que procuram proporcionar bons momentos e agitar os corpos que se prestam a dar um pezinho de dança. Cada música responde ao mote: Let’s dance! If you say run, I’ll run with you/ If you say hide, we’ll hide/ Because my love for you…

Agradecimentos:

A toda a equipa dos Encontros, António Néu.

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