Charles Trenet - La romance de Paris

July 24th, 2008 Filed under: News by antonia

<a href="http://youtube.com/watch?v=wYcY0tKkd5Y">http://youtube.com/watch?v=wYcY0tKkd5Y</a>

Jornal A Capital, 21 de março de 1922

July 4th, 2008 Filed under: News by antonia

Alexandre O’Neill, Já Cá Não Está Quem Falou

June 5th, 2008 Filed under: Writing by antonia

Novamente em colaboração editorial com Fernando Cabral Martins para a Assírio & Alvim, reuni as prosas de Alexandre O’Neill dispersas por jornais e revistas e nunca publicadas em livro.
Encontrei o título do volume no espólio do escritor, numa nota manuscrita, datável de 1981, que dizia: “JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU (título para um livro póstumo)”. Não pudemos senão respeitar a vontade do autor – e, demais, pareceu-nos logo um título a calhar.
O Fernando Cabral Martins escreve o posfácio, “O Poeta à Mesa de Montagem”.
O livro é composto de textos muito variados: crónicas, legendas de fotografias, recensões a livros e mesmo duas bandas desenhadas.
Os textos têm um leque cronológico muito amplo: o primeiro, sobre o escritor brasileiro Manuel Bandeira, data de Dezembro de 1944 – tinha Alexandre O’Neill acabado de fazer 20 anos. O último, “Manoletinas de Salão”, é sobre o medo, e foi provavelmente o seu último texto publicado na imprensa, em Março de 1985.
Que O’Neill era um excelente (ó adjectivo!) prosador, sabiam-no todos os que leram Uma Coisa em forma de Assim. Estas crónicas esquecidas vêm confirmá-lo.

E sobre O’Neill prosador, tenho uma história que, infelizmente, não pude contar na biografia dele que escrevi. Ao que indica certa carta que me veio parar às mãos, escrita aos amigos Chris e Maria do Vale (a “que é doida por iscas e outras petiscas” da página 33 de Já Cá Não Está Quem Falou) em Fevereiro de 1985, Alexandre O’Neill planeava escrever prosa. Estava a recuperar de um AVC, mas cheio de planos de escrita. Dizia querer “começar um romance que se chamará Dezembro 1924 e que gira todo à volta do dia em que nasci. É – será – construído em torno da leitura do jornal desse dia, uma ideia maluca que eu já ensaiei numa crónica maluca sobre o dia em que o Núncio tomou a alternativa. E fico-me por aqui para não concorrer com o falecido Jorge de Sena.”

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De Camilo Castelo Branco, “A Carteira de um Suicida”

May 22nd, 2008 Filed under: News by antonia

Um amigo meu, que tinha conhecido muitos amigos infelizes, e tinha lido as minhas novelas, disse-me assim uma vez:
– Tenho observado que você inculca verdadeiras todas as suas histórias.
– E você duvida?
– Duvido porque as acho verosímeis demais.
– Isso é um absurdo, com o devido respeito. Pois, se as minhas histórias fossem impossíveis, seriam mais possíveis?
– A pergunta formulada desse modo é irrespondível; mas o que eu queria dizer não é o que você entendeu.
– Faça favor de se explicar.
– Lá vou. A verdade é às vezes mais inverosímil que a ficção. O engenho do romancista concatena os sucessos com tanta lógica e coerência que o espírito não pode negar-lhes a naturalidade. As ocorrências advêm tão harmoniosas, os sucessos filiam-se e reproduzem-se tão espontaneamente, que o leitor pode, sem desaire da sua crítica, pensar que o romancista é muitíssimo mais correcto e natural que a natureza. Ora agora, o modo como as coisas reais se passam, os disparates que a gente observa, o desconcerto em que andam a previdência do homem com o resultado fenoménico e sempre ordinário das realidades, isso, meu amigo, é que as torna inverosímeis e inacreditáveis, se você ou eu as contarmos com a simplicidade e nudez de que elas se vestiram aos nossos olhos. Sei eu acontecimentos que relatados, como eu os presenciei, seriam incríveis, e compostos com a mentira da arte seriam as delícias do leitor, que julga só verdadeiro o que podia ter acontecido. Donde eu concluo que a arte é muito mais verosímil que a natureza, e que os seus romances são inacreditáveis por isso que são verosímeis.

Cenas Inocentes da Comédia Humana

Camilo Castelo Branco foi o primeiro free-lancer das letras em Portugal. De si próprio admitiu: “Pois sou materialmente essa desgraçada máquina que escreveu tudo, todo esse lastro da nau das letras nacionais, que anda à matroca.”

April 10th, 2008 Filed under: News by antonia

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Os domingos segundo Ionesco

March 5th, 2008 Filed under: News by antonia

Toda a gente sabe que não há nada mais triste do que uma tarde de domingo. Os jovens casais, com a mamã grávida a empurrar o carrinho de bebé, enquanto o jovem pai caminha com outro pela mão, davam-me ganas de os matar a todos ou de me suicidar. Mas a partir da terceira ou quarta imperial tudo se tornava cómico e mesmo divertido. Depois de anoitecer, as famílias em passeio eram substituídas por pessoas ou vultos menos chatos. Ao fim da mais duas imperiais, atingia uma certa felicidade. Deixava de sentir o corpo. Sorria com beatitude. Voltava para o meu hotelzinho, abria a porta do quarto aos tropeções. Tinha imensa dificuldade em despir-me, amontoava as peças de roupa como podia, sobre a cadeira, e atirava-me para cima da cama. Por precaução, punha o despertador em cima da mesa de cabeceira, mas acordava sempre ou quase sempre uns segundos antes de ele tocar. A campainha do despertador conseguia assustar o meu inconsciente, o qual me fazia acordar no momento exacto em que a campainha ia tocar. Travava-o e ficava ainda mais uns minutos na cama, desperto ou de novo mergulhado no sono. Era para esquecer que devia principiar outra semana na segunda de manhã que eu me embebedava ao domingo. Na segunda de manhã, dores de cabeça, a língua tumefacta, um desespero. Arranjar-me era para mim, mais do que noutras manhãs, uma tarefa que se me afigurava sobre-humana. Uma montanha. O degredo de todos os dias, penoso como sempre, mas de modo diferente de domingo. Não morava longe do escritório. Descia à rua, onde só via gente apressada dirigindo-se, como eu, para o seu inferno quotidiano. Parava uns momentos no café da esquina a tomar um café bem forte e um bagacinho. Posto o que me sentia melhor ou mais neutro. Era quase sempre às segundas que eu chegava mais tarde e já não encontrava a folha de ponto que era obrigado a assinar e que já havia sido retirada.
“Que tal passou o domingo? – perguntava-me o Jacques. – Divertiu-se?
– Até fiquei com dores de barriga, de tanto rir.”

Ionesco, O Solitário (1970)
trad. Luiza Neto Jorge, Lisboa, Ulisseia, 1975

Frases e Filosofias para Uso dos Jovens / 4

February 27th, 2008 Filed under: Writing by antonia

Texto para o número de Fevereiro da revista Blah Blah Blah da discoteca Lux.

Let’s gogo, ago Johnny gogogogo
Agogo, go go go go gogogogogogogogogogogogogogo
Go, Johnny, go, go?Go!
Johnny B. Goode

Sex Pistols

 

Também vos acontece? Eu tenho esta coisa, que me assalta de forma recorrente nos últimos tempos quando vou sair à noite: estarei a alienar-me? E se sim, como diabo vou dar conta disso, se é próprio da alienação ser uma espécie de inconsciência?
Para tentar fazer luz sobre isto, fui fazer uma sondagem informal junto daqueles que, na minha inconsciência, achava que tinham mais para dizer sobre este tema – os que, como eu, também saem à noite, sofrem com esta dúvida e tentam afogá-la em mais um copo.
O primeiro disse-me logo que era um ex-alienado, e que não podia explicar mais, porque tinha de ir mudar o disco. Outro respondeu que, nos tempos que correm, a alienação é uma bênção. Como pós-marxista, não pude deixar de concordar com este último. E verifiquei que o conceito de alienação é hoje diferente daquele que circulava nos anos 70.
Dantes, a alienação vinha do trabalho e da religião, que era o ópio do povo. Isto era o que dizia o Marx. Agora o ópio, à parte estar mais sintetizado, está muitíssimo difundido. A alienação, dizem, vem da televisão, do futebol, da playstation, do messenger, das drogas, da compulsão para as compras, enfim, de quase tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Parece que está por toda a parte, e que só se pode evitar sendo tão lúcido, tão lúcido, que se fica ou pré-industrial, ou um chato puritano, sem vícios nem fraquezas.
Conheci alguns assim, mas perdi-os de vista. Grande parte retirou-se para a serra – como uma amiga minha, que partiu há anos em busca do verdadeiro Eu e nunca mais o encontra. Quanto aos que ficaram na cidade, estão infrequentáveis – lembro-me daquele que, em Paris, dava pontapés no comboio suburbano e gritava “aliénation! aliénation!” Teve de ser evacuado pelos amigos. Mas tornou-se numa grande referência ideológica, e ainda hoje é abundantemente citado.
Voltando à minha sondagem, deixo aqui uma mostra das respostas mais representativas:

– É o deixa estar não tenho nada a ver – este virou costas, e nunca mais o vi.
– É sair à noite, apanhar uma ganda moca e esquecer-me da minha vida – riu outro, no intervalo-fuma-cigarro do emprego.
– Alienação é isto de acordar de manhã, deitar-me à noite, e tudo o resto no meio.
– É sair de uma órbita qualquer – este revirava os olhos para o tecto.
– É esquecer-me de que existo – disse uma vagamente ex-existencialista, enquanto carregava o eyeliner ao espelho.
– Pode ser uma espécie de anarquia – ajuizou um moço da linha, enquanto ouvia o Power in the Darkness dos TRB.
– Olha para esta malta toda aqui a dançar que nem loucos: amanhã voltam todos ao normal. Estas massas… isto é que é alienação – e pediu mais um copo, o olho turvo, determinado a não arredar pé.
– Alienado é um amigo meu que tem 42 anos, é espanhol com a mania que é british, é virgem, gay, e tem “um projecto de namoro” com um rapaz que conhece há um ano com quem percorreu o Nilo. Sonha com o mundo da Jane Austen e faz jantares para 6 pessoas com pratos e copos de plástico para não gastar as baixelas.

Mas afinal o que vem a ser alienação? A palavra vem do latim, ‘alienus’, que quer dizer alheio, estranho. Ora, após 43 anos de convivência comigo própria, e de a pachorra escassear para tal exclusividade, não posso senão aproveitar todas as oportunidades. Haverá coisa melhor, e mais inalcançável, do que sair de si por umas horas? Nos tempos que correm, é mesmo uma bênção conseguir estar horas a fio a dançar, esquecido de si e dos que o rodeiam. “Alienating rhythm!”
É que, ao fim e ao cabo, precisamos de nos alienar da alienação. Ou, pelo menos, temos de variar de alienação. Escravo do ritmo, em vez de escravo do trabalho.
É claro que, como qualquer apreciador sabe, dá uma trabalheira uma pessoa divertir-se. Sim, divertimento não é moleza: saber onde é a melhor festa, chegar a horas, passar a porta, descobrir o melhor sítio da pista e conseguir lá permanecer, arranjar bebidas – tudo isto é esforço, engenho e uma tremenda canseira. Lá isso é.
Por isso, alguns adeptos das teorias da conspiração dizem que o poder tem de garantir que o lazer seja tão ou mais fatigante que o trabalho. Caso contrário, deixávamo-nos todos ficar em eterno after.

Maria Antónia Oliveira & António Néu

Frases e Filosofias para Uso dos Jovens / 2

January 23rd, 2008 Filed under: Writing by antonia

Texto para o número de Dezembro da revista da discoteca Lux.

- Que tens tu?
- Nada. É Natal.

Alexandre O’Neill

Como sobreviver à época natalícia? – perguntamo-nos nós de cada vez que, implacável, o monstro se aproxima. Como manter a sanidade física e mental durante esta, ainda assim longa, provação? Sim, longa, porque o Natal, agora, começa praticamente em Setembro. Chegamos da praia, arrumamos a bóia, e ele aí está, para nossa felicidade, a anunciar o inverno, as listas de prendas, os sininhos dependurados nas portas e outras impossibilidades.
Uma coisa que nunca ninguém me explicou é por que é que chamam ‘quadra’ a esta altura do ano. Deve ser porque ficam todos quadrados. Todos: lisboetas, portugueses, ocidentais – o mundo: fica tudo tomado pelo espírito do Natal. Deve ter sido o primeiro, e já longínquo, sintoma de globalização. Não se deve, contudo, confundir ‘espírito’ (o de Natal) com filosofia, que isso acho que não tem nenhuma.
Natal é dinheiro, carcanhol, pilim, bago. Mas traz o dinheiro a felicidade? Não. Misturado com aquele ar deslavado de felicidade interior que é suposto afivelar neste tempo de boa-vontade, os lisboetas que eu conheço ficam com um ar apoquentado, de quem ainda tem sempre mais umas lojas, uns parentes, ou uns amigos para frequentar.
Há vida depois do Natal? Melhor: há vida durante o Natal? Eis algumas receitas, conselhos e filosofias para passar mais ou menos incólume esta época de embrutecimento, tão fofo e tão capitalista:

As compras
A partir de 1 de Dezembro, a ida a um centro comercial pode tornar-se numa autêntica descida aos infernos, coisa de difícil recuperação.
Seleccione cuidadosamente lojas improváveis: retrosarias, lojas de ferragens, sex-shops. Por exemplo, a Botão Dourado ou Retrosaria Nuvem (Campo de Ourique), a Boutique dos Parafusos (Morais Soares), ou o Rei das Fardas (Alexandre Herculano). Um martelo ou uma chave-inglesa dão sempre jeito. E que dizer, então, de um vibrador? Escolha, e mande embrulhar para oferecer.
Se não estiver para se maçar com planos e premeditações, pode optar por essa espécie de desporto radical que é comprar todas as prendas no último dia.

As saídas
Evite sair de casa durante o dia, sobretudo nos cinco que antecedem a noite de Natal propriamente dita. Se o fizer, é provável que trepe pelas paredes, acompanhando essa horda de pais natais alpinistas que ultimamente surgiram por aí.
Ficar sempre em casa, contudo, dá neura, para além de provável overdose de família. A televisão só dá filmes queriduchos e a caixa de correio electrónico é invadida por spam a apelar aos piores instintos: fofuras, carinhos, viagras e aumento do pénis. Cague nisso.
Aproveite, mas é, todas as oportunidades para sair à noite: fins-de-semana e dias de semana. Este ano, infelizmente, os feriados de Dezembro calham a um sábado, o que é uma pena. Sempre era uma oportunidade para sair ainda mais. Mas pode sempre tirar partido da festa de Natal do escritório/atelier/banco/mercearia/agência para extravasar (leia-se tolerância de ponto – mas nunca saia da festa antes do patrão/chefe).

A consoada
A consoada não é um after-after. É contra-indicado ir de directa: o bacalhau, de apetecível, passa a tormento. Contudo, pode acontecer que se veja nesta situação, por imponderáveis que o levaram a seguir o pipilar do passarinho de que fala o Padre Manuel Bernardes, como já aconteceu a uns amigos meus. Se assim for, e se chegar à mesa com repugnância por tudo o que seja comida, pode recorrer a
1. tupperware
2. bulimia
3. “estou de dieta” (mas nesse caso também não se pode beber)
4. fechar-se na casa de banho e
a) passar pelas brasas na banheira
b) continuar o after.

Neste último caso, ou em qualquer dos outros, deve absolutamente sair /continuar a saída na noite da consoada. Só nesse momento deve olhar para o telemóvel, para saber o que é que está aberto. De outro modo, ignore todos os SMSs que tenham:
1. bonecada natalícia
2. os que se nota mesmo que foram enviados para toda a lista de contactos. Não responda.
3. Os de pessoas de quem não ouviu falar desde o Natal anterior. Não responda também.
Excepção a esta última regra: os amigos emigrantes de Londres, Barcelona, Berlim e Goa, que aparecem sempre no Natal, todos contentes de só virem à terra uma vez por ano. É aproveitar.

Viagens
Com tudo o que foi dito acima, pode pensar-se que se aconselha uma retirada estratégica – uma viagenzinha… Nada disso. Não esquecer que é Natal em todo o mundo. Só não é nas zonas em guerra. Se, apesar de tudo, o pezinho puxar para a Portela, desaconselha-se vivamente o Brasil, em especial Porto Galinhas, Búzios e Maceió.

Música
A evitar:
1. Last Christmas – Wham!
2. I Just Called to Say I Love You – Stevie Wonder
3. What a Beautiful World – qualquer (a)versão

Recomendada:
1. Hell Ain’t a Bad Place to Be – AC/DC
2. a número 4 do último disco do Devendra Banhart (youtube.com/watch?v=sFMIYz0TZ-U)
3. Warrior – PIL (youtube.com/watch?v=YgcFbPrt1I8)
4. Buffalo Seven – Swayzak
5. Crackerjack Docker – Prinzhorn Dance School (www.prinzhorn-dance-school.com/crackerjackdocker.html)
6. Hitsville UK – The Clash
7. The Devil in Us – Black Devil Disco Club
8. Confession (Nervous Gender) – The Soft Pink Truth
9. Holidays in The Sun – Sex Pistols (youtube.com/watch?v=R_YX7hsaJz0)
10. La Différence – Robotnick!
11. Get Back – The Beatles (youtube.com/watch?v=GAYZ9BrD97U)
12. Titties and Beer – Frank Zappa (youtube.com/watch?v=4YRZV14zD-k)
13. E outras que não lembrem nem ao menino Jesus.

O Fim-de-Ano
Se conseguiu, com êxito, sobreviver a estes apertos, tem bónus: a festa da passagem do ano!
Extinto, finalmente, o espírito de Natal, comemore-se (ah!) o tempo que passa. Isto é que é filosofia. E por isso convém recordar palavras sábias que já reproduzi anteriormente nesta revista: “Noitadas, quantas mais melhor”. Mas não esqueçamos: “nenhuma noitada deve ter tal duração que possa prejudicar a realização de noitadas ulteriores”.
Deve, portanto preparar-se com alguma antecedência a noite – mas não com demasiada: muita expectativa pode estragar uma festa, é sempre bom algum grau de imprevisto. Recuse liminarmente qualquer convite para passar um fim-de-ano tranquilo numa casa no Alentejo com casais amigos. É uma esparrela muito frequente, e normalmente geradora de tédio. Festa tranquila é coisa que não existe, e o próprio conceito de “casal amigo” deixa imenso a desejar. Qualquer convite que aceite para uma festa em casa tem de ter como condição ficar essa casa à distância de um táxi, para poder pirar-se discretamente se der para o chocho. Certifique-se, ainda assim, do género de música que vai tocar. Se for chill-out, diga que, nesse caso, passa o fim-de-ano com a avó.
Há também as festas em colectividades, salas alugadas, casas devolutas, ginásios e outras excentricidades. São muito apelativas, mas verifique antecipadamente se não há vizinhos com soninho. A polícia é, certamente, companhia a evitar numa noite destas.
Na lógica do espírito da quadra, quase todas estas festas são pagas. Pague o soundsystem, pague os djs, pague o aluguer da sala – mas não dê dinheiro pela ceia, que é normalmente um caldo verde nojento e um bolo-rei manhoso. Não há apetite que resista.
Espero que estas sugestões lhe sirvam para alguma coisa. Eu cheguei a elas através da experiência. E a experiência, como dizia o outro que adorava festas, não é senão o nome que as pessoas dão aos seus erros.

Maria Antónia Oliveira & António Néu