Writing

A Philosophia do Gabiru

A nossa época é horrível porque já não cremos – e não cremos ainda.
O passado desapareceu, de futuro nem alicerces existem.
E aqui estamos nós sem tecto, entre ruínas, à espera…

Raul Brandão

10 a 14 de Março | Maria Matos Teatro Municipal

Quinta, sexta, sábado e segunda às 21h30 | Domingo às 18h00

A Philosophia do Gabiru, a mais recente criação de Martim Pedroso, estreia no próximo dia 10 de Março, 5ª feira, no Teatro Maria Matos.

O elenco, constituído pelos actores Carlos Alves, Flávia Gusmão, Martim Pedroso, Nelson Guerreiro, Paula Só, Tânia Leonardo e Tiago Barbosa, sobe ao palco às 21h30 numa viagem pelo universo literário de Raul Brandão – um dos escritores portugueses mais significativos e originais do período de transição para a República.

Este espectáculo pretende revisitar o universo literário do militar, jornalista, pintor, escritor e poeta Raul Brandão e evidenciar o carácter autobiográfico da sua obra. Diversas personagens lhe povoaram a poesia, o drama, as crónicas e memórias, e todas elas correspondem a um prolongamento de si mesmo, do seu eu contraditório e do seu pensamento crítico.

Profundamente influenciado pelo espírito revolucionário de Dostoiévski e pelo simbolismo romântico, foi um homem apaixonado, místico, religioso, anarquista e de temperamento desesperadamente irónico, fazendo da crítica ou comentário social o programa da maior parte dos seus escritos. Contemporâneo de Pessoa, nunca se encaixa numa corrente ou escola literária, preferindo desbravar um caminho solitário na procura do seu próprio estilo que, no fundo, era o resultado de muitas contaminações nacionais e estrangeiras.

A Philosophia do Gabiru, título retirado de um dos capítulos do poema dramático pré-expressionista Os Pobres, visa explorar cenicamente aquilo que eram os sonhos, as angústias e as liberdades filosóficas deste filho da República que soube documentar como ninguém, e de forma muito particular, o que era um Portugal em profunda crise económica, política, moral e social, numa época em que o mundo atravessava as mais conturbadas mudanças.

A figura do Gabiru – uma espécie de filósofo natural – é, acima de tudo, a projecção de um homem que sempre quis ser maior do que era na vida de todos os dias. É a voz altiva de um lugar erradicado e em permanente transição, tão ciclónico como as ideias e as opiniões, cuja pequenez sempre foi inversamente proporcional ao tamanho dos seus sonhos.

Nas palavras do encenador, “é preciso destruir o complexo do passado, recuperar o repertório e as palavras dos mortos porque estou cada vez mais convencido de que vivemos todos no mesmo tempo e espaço. Somos ressonâncias vivas do que já fomos e daqueles que existiram antes de nós. Há certas coisas que têm de voltar a dizer-se e continuar a dizer e nunca parar de dizer porque facilmente podemos cair no adormecimento ideológico que o real nos provoca.”

Integrado na rede de programação 5 Sentidos, o espectáculo é produzido pela Materiais Diversos em co-produção com o Maria Matos Teatro Municipal e o Centro Cultural Vila Flor. Estará em digressão no Teatro Municipal da Guarda a 26 de Março e no Centro Cultural Vila Flor a 9 de Junho deste ano.

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Ficha Artística

Direcção Artística e Encenação: Martim Pedroso

Texto: Raul Brandão & Nelson Guerreiro

Dramaturgia: Martim Pedroso & Nelson Guerreiro

Consultoria Literária: Maria Antónia Oliveira

Assistência de Encenação: Ana Ribeiro

Interpretação: Carlos Alves, Flávia Gusmão, Martim Pedroso, Nelson Guerreiro, Paula Só, Tânia Leonardo e Tiago Barbosa

Colaboração no Espaço Cénico: Sttiga

Sonoplastia: António Duarte

Desenho de Luz: Mafalda Oliveira

Pré-produção: Carla Moreira

Produção Executiva: Filipa Achega

Produção: Materiais Diversos

Co-Produção: Maria Matos Teatro Municipal / Centro Cultural Vila-Flor

Residência Artística: Negócio / ZDB

Apoios: CCB – Centro Cultural de Belém / São Luiz Teatro Municipal / Flora Garden

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